O Relatório de Não Conformidade é um documento formal usado para registrar um desvio em relação a uma norma, requisito, procedimento interno, especificação ou padrão estabelecido. Dessa forma, ele registra uma situação em que um produto, processo ou sistema não atendeu integralmente ao que era esperado, servindo como ponto de partida para análise, correção e prevenção de recorrência dessa falha.
A falta de compliance por si só já gera dor de cabeça operacional ou retrabalho nas linhas de produção. Mas muito além disso, ela também afeta diretamente a margem de lucro, compromete a segurança dos colaboradores e, em casos mais graves, pode manchar de forma irreversível a reputação de uma companhia no mercado.
É para remediar esse perigo que o Relatório de Não Conformidade (também chamado de RNC) surge. Ele é a principal ferramenta estratégica para transformar falhas operacionais em dados acionáveis e em melhoria contínua.
Ao adotar essa medida, a gestão da qualidade ganha em maturidade e, assim, se torna um diferencial competitivo. Por exemplo, quando empresas adotam práticas maduras e digitalizadas de gestão da qualidade, podem reduzir em até 70% no tempo de tratamento de não conformidades e ganhar até 35% de eficiência operacional. O segredo para alcançar esse patamar começa justamente com um registro de desvios eficiente.
Continue lendo e entenda melhor o que é o relatório de não conformidade, qual o seu papel nas principais normas globais de qualidade (como ISO 9001, ISO 31000 e ISO 14001), seus tipos mais comuns e, claro, um passo a passo prático de como estruturar o seu.
O que é um Relatório de Não Conformidade (RNC)?
No universo da gestão da qualidade e do compliance, uma não conformidade é qualquer não atendimento a um requisito pré-estabelecido. Esse requisito pode ser uma norma internacional, uma legislação governamental, a especificação técnica de um produto, a exigência de um cliente ou até mesmo um Procedimento Operacional Padrão (POP) interno da própria empresa.
Nesse contexto, o Relatório de Não Conformidade (RNC) é o documento formal utilizado para registrar esse desvio de maneira estruturada. Ele funciona como o ponto de partida oficial para investigar o que deu errado.
Porém, é crucial estabelecer uma premissa cultural dentro da organização: o objetivo principal do RNC não é punitivo, mas sim preventivo e corretivo. Uma gestão da qualidade moderna não usa o relatório para apontar dedos ou buscar culpados, mas para isolar a falha sistêmica, investigar sua causa raiz, implementar soluções definitivas e evitar a reincidência do erro. O foco está no processo, não na pessoa.
Entre os casos mais comuns de não conformidade, estão:
- produto fora de especificação,
- falha na execução de um procedimento,
- documento desatualizado,
- ausência de evidência obrigatória,
- descarte inadequado de resíduos,
- desvio em auditoria ou descumprimento de um requisito legal.
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Relatório de Não Conformidade e Registro de Não Conformidade são a mesma coisa?
Os dois termos costumam aparecer muito próximos, mas têm usos complementares. O Registro de Não Conformidade é o ato de formalizar a ocorrência; já o Relatório de Não Conformidade é a estrutura documental que reúne a descrição do desvio, as evidências, a análise e o encaminhamento das ações. Ou seja, o registro inicia o tratamento, enquanto o relatório organiza e dá rastreabilidade a todo o processo.
Por que o relatório de não conformidade é importante?
Registrar as não conformidades de forma estruturada ajuda as empresas a aprenderem com os erros, reduzirem reincidências e fortalecerem seus controles internos. Sem esse tipo de documento, os desvios podem se repetir sem tratamento adequado, comprometendo a qualidade, a confiabilidade dos processos e a percepção de valor por parte de clientes e stakeholders.
Outro ponto central é a rastreabilidade. Quando a ocorrência é documentada com clareza, a organização consegue entender o que aconteceu, onde aconteceu, quem atuou e quais providências foram adotadas. Isso facilita auditorias, investigações internas e a comprovação de atendimento a requisitos normativos e/ou legais.
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Qual é o papel do RNC nas normas ISO 9001 e ISO 14001?
A padronização global e as certificações exigem uma tratativa rigorosa sobre as falhas. Em setores altamente regulados (como manufatura, automotivo, alimentos e bebidas e life sciences), o registro sistemático de desvios vai além de uma boa prática, sendo um verdadeiro requisito mandatório para a operação.
A cláusula 10.2 e a melhoria contínua como medida contra não conformidades
Tanto a ISO 9001 (focada no Sistema de Gestão da Qualidade) quanto a ISO 14001 (focada no Sistema de Gestão Ambiental) compartilham a Estrutura de Alto Nível (Anexo SL). Nessas normas, a Cláusula 10.2 trata especificamente de Não Conformidade e Ação Corretiva.
Essa cláusula exige explicitamente que as organizações:
- Reajam à não conformidade e, conforme aplicável, tomem ações para controlá-la e corrigi-la.
- Lidem com as consequências do desvio.
- Avaliem a necessidade de ações corretivas para eliminar a causa da não conformidade e, assim, evitar que ela se repita.
- Retenham a “informação documentada” (ou seja, o próprio Relatório de Não Conformidade) como evidência da natureza das não conformidades e dos resultados das ações tomadas.
O RNC na gestão ambiental
Enquanto na ISO 9001 um RNC pode registrar a falha de uma peça no controle de qualidade, na ISO 14001 ele desempenha um papel vital em processos como o licenciamento ambiental.
Caso ocorra o vazamento de um resíduo químico não tratado, por exemplo, o Relatório de Não Conformidade ambiental é aberto para reportar o acidente, conter o dano ao ecossistema e apresentar aos órgãos fiscalizadores quais foram as medidas corretivas adotadas pela empresa para evitar multas e embargos.

Quais são os principais tipos de não conformidades?
Para facilitar a gestão e a análise de dados, os desvios costumam ser categorizados. Compreender a origem da falha ajuda a direcionar o relatório para o departamento responsável.
Abaixo, listamos os principais ambientes em que não conformidades costumam surgir, para que a sua empresa fique de olho:
- Auditoria interna/externa. São os desvios identificados durante inspeções normativas. Por exemplo: um auditor constata que os registros de calibração das máquinas estão desatualizados.
- Processos. São as falhas operacionais que ocorrem quando o fluxo de trabalho real desvia do que foi documentado no Procedimento Operacional Padrão (POP). Um exemplo disso é quando um operador pular uma etapa de inspeção visual na linha de montagem.
- Produto/serviço. Esse tipo de não conformidade surge quando o entregável final não atende aos requisitos do cliente ou às especificações técnicas. Por exemplo, quando um lote de peças é confeccionado com dimensões fora da tolerância milimétrica exigida.
- Fornecedores. São os desvios em insumos e/ou matérias-primas recebidos fora do padrão de qualidade acordado no momento da compra, como em embalagens entregues com defeito de impressão ou fora do prazo, assim paralisando a produção.
- Ambientais/segurança do trabalho. Essa categoria engloba os desvios de normas regulamentadoras que geram risco ocupacional ou ambiental. Por exemplo: colaboradores operando maquinário sem o uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados.
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Como fazer um Relatório de Não Conformidade?
A elaboração de um RNC precisa ser metódica. Um relatório mal preenchido impossibilita a análise correta do problema; por isso, a documentação eficaz precisa trazer informações objetivas e verificáveis.
Entre os elementos essenciais do RNC, estão a descrição clara do desvio, a data e o local da ocorrência, o requisito violado, as evidências objetivas, a análise da causa raiz, o plano de ação, os responsáveis, os prazos de implementação, o responsável por cada etapa e o status de encerramento.
Abaixo preparamos um passo a passo prático para garantir a eficácia do seu Relatório de Não Conformidade:
1. Identificação e registro do desvio
O primeiro passo é descrever o problema de forma factual, objetiva e clara, baseando-se em evidências. Evite opiniões pessoais e foque em responder às seguintes perguntas: O que aconteceu? Onde ocorreu? Quando foi detectado? Quem detectou? Qual é a evidência clara do desvio (com fotos, lotes, números de série, etc.)?
2. Ação de contenção imediata
Antes de investigar a fundo, é preciso estancar o sangramento. A ação de contenção (ou correção imediata) é aquilo que é feito na hora para mitigar o impacto. Um exemplo desse tipo de ação seria, no caso de uma máquina que está vazando óleo, desligar o equipamento, limpar o chão para evitar acidentes e segregar as peças que foram sujas. Lembre-se de que a ação de contenção imediata não resolve o problema (nesse exemplo, o vazamento), mas impede que ele cause danos maiores no curto prazo.
3. Análise de causa raiz
É aqui que a gestão da qualidade começa de fato. Para que a falha não se repita, é fundamental descobrir a sua origem usando ferramentas de qualidade com eficácia comprovada. As mais recomendadas são:
- Diagrama de Ishikawa (Espinha de Peixe): essa ferramenta analisa o problema categorizando possíveis causas em seis frentes (Método, Máquina, Medida, Meio Ambiente, Material e Mão de Obra).
- 5 Porquês: é uma técnica simples, mas poderosa, de perguntar “Por que determinado acontecimento ocorreu?” sequencialmente até chegar à falha estrutural inicial do processo.
4. Plano de Ação Corretiva (CAPA)
Com a causa raiz identificada, a equipe deve elaborar um plano de Ação Corretiva e Preventiva (CAPA – Corrective and Preventive Action). Para garantir que a execução de tudo que foi planejado saia do papel, recomenda-se a utilização da metodologia 5W2H.
5. Verificação de eficácia e fechamento
Um Relatório de Não Conformidade não termina quando a ação é executada, mas quando ela se prova eficaz. Após um período pré-determinado, o gestor da qualidade deve verificar se o Plano de Ação realmente eliminou a causa raiz e se o problema parou de ocorrer. Apenas com essa validação documentada o RNC pode ser formalmente encerrado.
Como a tecnologia ajuda na gestão de não conformidades?
Gerenciar relatórios de não conformidade via formulários de papel, planilhas descentralizadas ou trocas de e-mails é um risco altíssimo de compliance. Esse formato analógico gera falta de rastreabilidade, perda de histórico, lentidão na tramitação de assinaturas e, principalmente, a criação de silos de informação que impedem a visão estratégica da operação.
Nesse contexto, as soluções digitais podem:
- centralizar registros,
- padronizar formulários,
- automatizar fluxos de aprovação,
- facilitar a coleta de evidências.
Além disso, esse tipo de ferramenta permite acompanhar ações corretivas com mais agilidade e rastreabilidade, assim reduzindo o retrabalho e melhorando a governança dos processos.
Como resultado da ação de sistemas integrados de gestão de conformidade regulatória, a organização fortalece não apenas o seu controle operacional, mas também a capacidade da empresa de responder rapidamente a auditorias, inspeções e demandas regulatórias. Ou seja: a tecnologia não substitui a análise humana; ela torna o processo mais confiável e escalável.
Do papel para o software de excelência
A transição digital transforma processos engessados em fluxos ágeis. Um software robusto de Gestão da Qualidade (EQM), por exemplo, centraliza todos os apontamentos em um único portal. Dessa forma, quando um operador identifica um desvio no chão de fábrica, o sistema automaticamente notifica o analista de qualidade, já iniciando o workflow designado ao determinado tipo de ocorrência.
Além disso, o uso de assinaturas eletrônicas validadas garante a segurança jurídica e a autenticidade das aprovações ao longo do RNC, atendendo a normativas estritas – como, por exemplo, a FDA 21 CFR Part 11.
O futuro movido pela Inteligência Artificial
A gestão da qualidade já está dando o próximo passo com o uso da Inteligência Artificial (IA). Tecnologias de Inteligência Artificial Generativa e Agentic AI (também chamada de IA Agêntica) estão sendo incorporadas aos software de GRC para ler e cruzar dados de milhares de RNCs históricos em segundos.
Graças a esse tipo de IA, sistemas inteligentes conseguem identificar padrões ocultos, prever anomalias operacionais antes que elas se tornem não conformidades graves e até mesmo sugerir Planos de Ação Corretiva baseando-se no que deu certo no passado. Isso reduz drasticamente o tempo de resposta do compliance corporativo e fortalece a conformidade regulatória da companhia como um todo.
Conclusão
O Relatório de Não Conformidade é muito mais do que um formulário exigido por auditores. Na prática, ele é o pilar prático da cultura de melhoria contínua dentro de uma organização. Quando gerenciado de forma estruturada, o RNC transforma falhas custosas em maturidade de processos. Isso garante produtos melhores, operações mais seguras e compliance com as mais rigorosas normas (como aquelas da família ISO, por exemplo).
No entanto, para escalar a gestão da qualidade sem multiplicar a burocracia, a tecnologia é indispensável. Se a sua empresa ainda perde tempo valioso gerenciando RNCs manualmente, é hora de adotar soluções digitais de QMS. Com elas, é possível automatizar todo o ciclo de vida da não conformidade — desde o registro no chão de fábrica, passando pelas ferramentas de causa raiz, até a verificação de eficácia e assinaturas eletrônicas. Isso impulsiona a governança de alto nível e a conformidade.
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FAQ – Relatório de não conformidades
O Relatório de Não Conformidade é um documento formal usado para registrar um desvio em relação a uma norma, requisito, procedimento interno, especificação ou padrão estabelecido. Ele registra uma situação em que um produto, processo ou sistema não atendeu integralmente ao que era esperado, servindo como ponto de partida para análise, correção e prevenção de recorrência da falha.
Uma não conformidade é qualquer não atendimento a um requisito pré-estabelecido. Esse requisito pode ser uma norma internacional, uma legislação governamental, a especificação técnica de um produto, a exigência de um cliente ou até mesmo um Procedimento Operacional Padrão (POP) interno da própria empresa.
O objetivo principal do RNC não é punitivo, mas sim preventivo e corretivo. O relatório serve para isolar a falha sistêmica, investigar sua causa raiz, implementar soluções definitivas e evitar a reincidência do erro, mantendo o foco no processo e não na pessoa.
Não, os dois termos têm usos complementares. O Registro de Não conformidade é o ato de formalizar a ocorrência. Já o Relatório de Não Conformidade é a estrutura documental que reúne a descrição do desvio, as evidências, a análise e o encaminhamento das ações. Ou seja, o registro inicia o tratamento, enquanto o relatório organiza e dá rastreabilidade a todo o processo.
Registrar as não conformidades de forma estruturada ajuda as empresas a aprenderem com os erros, reduzirem reincidências e fortalecerem seus controles internos. Sem esse documento, os desvios podem se repetir sem tratamento adequado, o que compromete a qualidade e a confiabilidade dos processos. Ele também garante rastreabilidade, facilitando auditorias, investigações internas e a comprovação de atendimento a requisitos normativos ou legais.
Nestas normas, a Cláusula 10.2 exige explicitamente que as organizações reajam à não conformidade e tomem ações para controlá-la e corrigi-la. A norma exige a avaliação de ações corretivas para eliminar a causa da falha e determina que a organização retenha a “informação documentada” (o próprio RNC) como evidência da natureza dos desvios e dos resultados das ações.
Os principais ambientes e categorias onde as não conformidades costumam surgir são:
Auditoria interna/externa: desvios identificados durante inspeções normativas.
Processos: falhas operacionais que ocorrem quando o fluxo de trabalho real desvia do que foi documentado no Procedimento Operacional Padrão (POP).
Produto/serviço: quando o entregável final não atende aos requisitos do cliente ou às especificações técnicas.
Fornecedores: desvios em insumos ou matérias-primas recebidas fora do padrão de qualidade acordado.
Ambientais/segurança do trabalho: desvios de normas regulamentadoras que geram risco ocupacional ou ambiental.
Um RNC deve seguir um passo a passo para garantir sua eficácia:
1. Identificação e registro do desvio: descrever o problema de forma factual, objetiva e clara, baseando-se em evidências.
2. Ação de contenção imediata: agir na hora para mitigar o impacto e impedir danos maiores no curto prazo.
3. Análise de causa raiz: descobrir a origem da falha usando ferramentas de qualidade, como o Diagrama de Ishikawa (Espinha de Peixe) ou os 5 Porquês.
4. Plano de Ação Corretiva (CAPA): elaborar um plano utilizando a metodologia 5W2H para garantir a execução da ação.
5. Verificação de eficácia e fechamento: verificar, após um período pré-determinado, se o Plano de Ação eliminou a causa raiz e só então encerrar formalmente o RNC.
Soluções digitais podem centralizar registros, padronizar formulários, automatizar fluxos de aprovação e facilitar a coleta de evidências. Softwares de Gestão da Qualidade (EQM) oferecem assinaturas eletrônicas validadas e permitem acompanhar ações corretivas com agilidade e rastreabilidade. Além disso, tecnologias de Inteligência Artificial já estão sendo incorporadas para ler dados de RNCs históricos, identificar padrões, prever anomalias e sugerir Planos de Ação Corretiva.








