Com as limitações de recursos naturais, o aumento do aquecimento global e a população em busca de uma equidade social, a sustentabilidade tem sido um assunto que está em alta na atualidade. A sustentabilidade ficou conhecida no relatório de Brundtland, em 1987, realizado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, onde o conceito de desenvolvimento sustentável foi definido como “um desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem as suas próprias necessidades”.

Com o passar dos anos, os problemas com questões ambientais e sociais impulsionaram as pressões governamentais e as exigências dos consumidores para integrar a sustentabilidade nos negócios. Um dos marcos que está estimulando o desenvolvimento sustentável é a Agenda 2030 da ONU (Organização das Nações Unidas), que ocorreu em 2015, com a participação de 193 Estados-membros da ONU, com o objetivo de definir um plano de ação para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que as pessoas alcancem a paz e a prosperidade.

Neste sentido, as empresas têm um papel fundamental para atingir esses objetivos. Para integrar a sustentabilidade nas empresas um conceito que é bastante utiliza é o Triple Bottom Line (TBL), desenvolvido por John Elkington, onde as empresas devem considerar simultaneamente questões econômicas, ambientais e sociais.

Porém, para que as empresas se tornem sustentáveis, todos os membros da sua cadeia de suprimentos devem adotar essas práticas e os fornecedores são um dos elos mais críticos. Esta criticidade se deve ao fato de eles participarem diretamente no processo produtivo da empresa, fornecendo serviços ou materiais/peças e, com isso, representarem aproximadamente 50% do faturamento das empresas brasileiras. Portanto, ter uma gestão de fornecedores eficiente é essencial para não trazer ônus para as empresas.

Mas, como tornar os fornecedores sustentáveis?

A seguir, mostraremos três ações que auxiliarão as empresas a mudarem o seu patamar.

Mudança na gestão de fornecedores

A área de compras tem uma função importante no relacionamento com fornecedores, com isso, esta área deve ter uma gestão que envolva as atividades de avaliação e seleção, de monitoramento de desempenho e de desenvolvimento de fornecedores.

Porém, tornar fornecedores sustentáveis é uma atividade um pouco complexa, o que exige realizar uma mudança cultural e comportamental na área de compras. A primeira delas é engajar a diretoria e a gerência de compras sobre a importância de ter fornecedores sustentáveis, mostrando os benefícios e quais são os riscos caso não possua fornecedores sustentáveis, pois as empresas são responsáveis pelos seus fornecedores e qualquer ação indevida pode impactar na reputação da empresa.

A segunda é ter uma área de compras capacitada para ter fornecedores sustentáveis. Onde os funcionários devem ter:

  • Competência de pensamento sistêmico;
  • Conhecimento básico de sustentabilidade;
  • Comunicação transparente;
  • Conhecimento básico em gestão de fornecedores;
  • Gerenciamento de contratos.

Além disso, a empresa deve investir em treinamentos que desenvolvam:

  • Gestão de Relacionamento com fornecedores;
  • Aplicação de ferramentas de gestão de fornecedores;
  • Desenvolvimento de fornecedores sustentáveis;
  • Auditar fornecedores sustentáveis;
  • Monitorar fornecedores sustentáveis.

Inclusão de critérios sustentáveis

Com a área de compras capacitada em sustentabilidade, o próximo passo é incluir critérios sustentáveis na gestão de fornecedores, ou seja, é necessário incluir questões ambientais, econômicos e sociais nesta gestão.

Os critérios ambientais podem envolver:

  • Sistema de gestão ambiental;
  • Design ecológico;
  • Embalagem ecológica;
  • Controle de poluição;
  • Controle do uso de recursos naturais;
  • Gerenciamento de resíduos;
  • Gerenciamento de ruídos;
  • Reuso e reciclagem;
  • Logística verde;
  • Certificação ISO 14001.

Os critérios econômicos podem envolver:

  • Custo do material/serviço;
  • Prazo de pagamento;
  • Prazo de entrega;
  • Pontualidade de entrega;
  • Qualidade do material/serviço;
  • Capacidade fornecimento;
  • Capacidade técnica;
  • Referências de clientes;
  • Avaliação de risco de fornecimento;
  • Certificação ISO 9001.

Os critérios sociais podem envolver:

  • Condições de trabalho;
  • Interesses e direitos dos trabalhadores;
  • Reclamações de questões éticas e legais;
  • Salário e horas trabalhadas;
  • Trabalho infantil e escravo;
  • Saúde ocupacional e segurança do trabalho;
  • Reputação;
  • Responsabilidade social;
  • Influência na comunidade local;
  • Certificação ISO 26000 ou SAE 8000.

Não é necessário que todos esses critérios citados sejam exigidos dos fornecedores, porém é importante que os critérios estejam alinhados com a estratégia da empresa. Além disso, esses critérios devem ser incluídos em todas as atividades da gestão de fornecedores, nas etapas de avaliação e seleção, monitoramento de desempenho e de desenvolvimento.

Uma forma que pode auxiliar no desenvolvimento de fornecedores sustentáveis é utilizar as normas como apoio. A norma ISO 14001, que envolve a dimensão ambiental e o principal objetivo é ter um sistema de gestão ambiental, a norma ISO 9001, que envolve a dimensão econômica, onde o principal objetivo é ter uma gestão de qualidade e as normas ISO 26000 e SAE 8000, que envolvem a dimensão social e o principal objetivo é garantir a responsabilidade social.

Relacionamento de parceira

Por fim, com uma área de compras capacitada e com uma gestão com critérios sustentáveis, é fundamental a empresa ter um relacionamento de parceria com seus fornecedores, para engajá-los a serem sustentáveis.

A primeira ação é ter uma comunicação transparente com seus fornecedores no início do fornecimento. Esta ação pode ser realizar uma reunião de integração ou ter um manual do fornecedor para passar todas as “regras do jogo” e para que o fornecedor possua conhecimento em como será durante o seu fornecimento.

A segunda ação é ter um monitoramento durante o fornecimento, que consiste em indicadores para apresentar o desempenho do fornecedor relacionado aos critérios monitorados e, a partir disso, realizar reuniões periódicas para estreitar o relacionamento e se preciso realizar plano de ação e auditorias para verificar o processo de fornecimento.

A terceira ação é ter um programa de desenvolvimento de fornecedores, que consiste em ficar mais próximo dos fornecedores estratégicos da empresa e desenvolvê-los no que eles possuem baixo desempenho.

Por último, ter um programa de reconhecimento no fechamento dos resultados. Esta é uma ação importante para engajar os fornecedores na estratégia da empresa.

Autora:

Bianca Bette Torres

Pesquisadora | Desenvolvimento de Fornecedores | Supplier Development.

Bianca Bette Torres

Autor

Bianca Bette Torres

Bianca Bette Torres é engenheira química, especialista em engenharia da qualidade, com certificação green belt pela UNIMEP. Auditora líder ISO 9001 pela SGS, possui conhecimento nas normas ISO 14001, ISO 22000, ISO 45000 e IATF 16949. Sua carreira contempla passagem pela Raizen, onde atuou no gerenciamento de fornecedores as e na implementação de um sistema de monitoramento de desempenho de fornecedores de serviços.

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