Saiba como a indústria farmacêutica pode se tornar mais produtiva aliando tecnologia e práticas de gestão

Depois dos recordes de vendas alcançados mundialmente em 2015, a indústria farmacêutica passa por um período de desaceleração no crescimento. Estudos recentes apontam que o custo para pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos continuam crescendo. A taxa é superior a 8% ao ano. Em paralelo, o setor também enfrenta uma pressão crescente pela melhoria da produtividade.

Durante muito tempo, a indústria farmacêutica desfrutou de grandes margens de lucro. Elas foram geradas pelo enorme sucesso de alguns medicamentos protegidos por patentes. Tais medicamentos representavam uma porcentagem significativa da receita dos fabricantes. Um estudo realizado pela Healthcare Global trouxe revelações. Quando as patentes expiram os grandes fabricantes perdem até 90% das receitas desses medicamentos para os genéricos.

A expiração de patentes em massa abriu uma grande oportunidade. Os genéricos tomarem conta das prateleiras, aumentando a concorrência para os gigantes farmacêuticos. Isso levou à redução na participação de mercado de produtos que foram “a galinha dos ovos de ouro” nos anos 90.

Os grandes lucros da década de 90 deixaram muitos fabricantes acomodados, investindo pouco em pesquisa e desenvolvimento (P&D). É comum que o processo de desenvolvimento de uma nova droga, desde que se iniciam as pesquisas até a sua chegada ao mercado, dure mais de 10 anos. Isso significa que, hoje, a indústria farmacêutica possui um pipeline pequeno. O número de programas de desenvolvimento de medicamentos perante a atual demanda do mercado é insuficiente. Isso colocou muitas farmacêuticas em crise, resultando em fusões, aquisições e também em demissões.

Visando recuperar o tempo perdido, agora a indústria procura melhorar o tempo do ciclo de pesquisa e desenvolvimento. Procuram também reduzir custos operacionais. Para ganhar eficiência e agilizar os processos de P&D, as empresas farmacêuticas podem fazer uso de iniciativas como:

Otimizar os processos de P&D

A Gestão de Processos de Negócio (ou Business Process Management – BPM) pode ajudar. As empresas farmacêuticas podem ganhar eficiência através de uma combinação de melhoria de processos, padronização e automação. Otimizar e automatizar os processos de negócios elimina redundâncias. Muitas das tarefas manuais também podem ser eliminadas, diminuindo consideravelmente o risco de erros e retrabalho no processo.

Essa disciplina também ajuda a diminuir o tempo de lançamento de novos produtos, além de garantir a conformidade regulamentar dentro da fase de pesquisa e desenvolvimento, incluindo: automatizar e simplificar processos de ensaios clínicos, minimizando erros e riscos, melhorando a comunicação e promovendo um ambiente de pesquisa colaborativa.

Eliminar os desperdícios e as atividades que não agregam valor

A metodologia Lean visa eliminar o desperdício ou atividades sem valor agregado, otimizando processos de ponta a ponta. É muito comum sua aplicação como complemento ao BPM. O método já provou ser eficaz, aumentando a eficiência das operações e auxiliando na redução de custos. Por isso tem atraído cada vez mais adeptos. Algumas técnicas Lean como 5S ou 5 Porquês, podem ajudar a melhorar a eficiência do ambiente de trabalho em laboratórios. Em paralelo, o foco na eliminação de etapas desnecessárias pode ajudar a acelerar determinados processos e reduzir o tempo em cada ciclo.

Promover a disponibilidade do conteúdo

A indústria farmacêutica é altamente regulada e as operações de P&D que dependem de documentos e dados confiáveis são intensas. Por isso, a disponibilidade, a segurança e a rastreabilidade sobre as informações são aspectos críticos nesse segmento.

A Gestão do Conteúdo Empresarial (Enterprise Content Management – ECM) garante a disponibilidade da versão correta de políticas, procedimentos e demais informações técnicas. Elas controlam todas as alterações, aprovações e notificam os interessados quando alguma informação é atualizada. As ferramentas também geram alertas automatizados. Assim é possível evitar a perda de prazos e, consequentemente, a ocorrência de multas junto às agências reguladoras. As trilhas de auditoria permitem mapear eventuais fragilidades, mostrando onde o processo de gestão de documentos precisa ser melhorado.

Um exemplo é o caso da União Química, uma das maiores indústrias farmacêuticas do Brasil de capital 100% nacional. A empresa implantou o SoftExpert Excellence Suite (SE Suite) buscando aumentar a eficiência das operações. Segundo a coordenadora de sistemas da qualidade, Roberta Rodrigues, hoje todas as aprovações eletrônicas, indexação e rastreabilidade dos documentos são realizadas através da ferramenta. O responsável pela divisão de Governança Tecnológica da União Química, Leonardo Pereira Pedrozo, afirma que a plataforma otimizou recursos e melhorou a gestão de processos. “Uma das maiores vantagens é o controle e segurança dos documentos, rastreabilidade e a incrível facilidade para busca de registros e documentos, que era uma demanda de todas as áreas da empresa”, avalia Pedrozo.

Assim é possível garantir o atendimento a padrões, normativas e legislações amplamente aplicados no setor, como ISO 9001, ANVISA ou FDA, tornando os processos mais rápidos e transparentes.

Elevar a disponibilidade e confiabilidade dos ativos

Quando as pessoas utilizam um medicamento, elas esperam que os resultados sejam positivos e que possam melhorar sua condição de saúde. Não há tolerância para erros ou fraudes no processo. Ainda assim, um estudo realizado pela PricewaterhouseCoopers revelou que em 2011, a indústria farmacêutica pagou mais de US$ 7 bilhões em indenizações.

Equipamentos sem calibração e manutenção adequada, muitas vezes podem estender o tempo e, consequentemente, os custos das etapas de pesquisa de medicamentos, experimentos laboratoriais, testes clínicos, entre outros.

As soluções de Gestão de Ativos Empresariais (Enterprise Asset Management – EAM), que tratam de manutenção e calibração, elevam a confiabilidade e otimizam o desempenho dos equipamentos.

A Ophthalmos é um caso de empresa que investiu na gestão de ativos e colheu bons resultados. Pioneira no Brasil na fabricação de visco-elástico intraocular, a empresa também implantou o SE Suite. Como resultado, conseguiu eliminar atrasos nas calibrações, otimizar a manutenção preventiva e aprimorar o controle de ativos e insumos. “Temos uma manutenção menos onerosa e mais robusta. Com isso, atendemos a todos os padrões de qualidade ao mesmo tempo em que geramos indicativos econômicos”, finaliza Roberto da Silva Gusmão, Supervisor de Engenharia Farmacêutica.

Isso impacta diretamente na redução de gastos desnecessários para as empresas farmacêuticas, e garante que possam continuar promovendo o bem-estar e lançando novos medicamentos em benefício daqueles que mais precisam.

Gerenciar riscos

A desaceleração do crescimento resulta em queda no fluxo de caixa das empresas. A escassez de recursos limita a capacidade de investimento em inovação e em desenvolvimento de novos produtos.

Diante disso, as indústrias farmacêuticas têm adotado diversas estratégias buscando otimizar o orçamento disponível. Uma das mais comuns é a terceirização dos processos de pesquisa e desenvolvimento. Seja para reduzir custos, tornar os processos mais ágeis ou elevar a produtividade. Desta forma a indústria pode conduzir um número maior de projetos. Isso também eleva as chances de lançamento de novos medicamentos inovadores e lucrativos.

Através da Gestão de Riscos Corporativos (Enterprise Risk Management – ERM), é possível gerenciar todos os riscos inerentes aos processos de P&D. As ferramentas ajudam a identificar, analisar, avaliar, monitorar e gerenciar riscos utilizando uma abordagem integrada.

Esses são apenas alguns exemplos de como a tecnologia envolvendo as disciplinas de BPM, ECM, ERM e EAM, ajudam a elevar a produtividade em processos de P&D e aceleram a entrega de novos medicamentos. Os processos de P&D formam o alicerce de uma indústria farmacêutica, por isso, eliminar ineficiências que geram custos desnecessários são iniciativas cruciais neste segmento. Assim, é possível beneficiar milhares de pacientes que buscam reestabelecer sua condição de saúde para melhorar a qualidade de vida.

Marcelo Becher

Autor

Marcelo Becher

Especialista em Gestão Estratégica pela PUC-PR. Analista de negócios e mercado na SoftExpert, fornecedora de softwares e serviços para automação e aprimoramento dos processos de negócio, conformidade regulamentar e governança corporativa.

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